sexta-feira, 26 de abril de 2013

As razões e motivos para esse projeto

O município de Laranja da Terra possui 10.826 habitantes, no qual 72,4% de brancos e apenas 4,2% dessa população são constituídas de pessoas negras (conforme o censo 2010). Maior parte dos pomeranos mora nas áreas rurais e atuam na agricultura familiar, legitimando o grupo de 7298 habitantes em domicílio rural.  Predomina-se em Laranja da Terra a cultura pomerana, provenientes na sua grande maioria do município de Santa Maria de Jetibá a partir de 1901 (http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=320316),  destacada fortemente na arquitetura, culinária, comportamento e características gerais de povo tradicional. Diversas manifestações no município preservam e valorizam evidentemente a cultura pomerana. É bastante comum escutar pessoas conversando em pomerano nas ruas, casamentos realizados dentro da tradição, programações radiofônicas com músicas de concentina, casas típicas e outros. O município legitima essa manifestação. Mais informações sobre a localidade (http://www.youtube.com/watch?v=RKtu7EMY_YU).

Um detalhe que chama atenção no município de Laranja da Terra, que ainda não se tornou preocupação evidente das lideranças locais, é a presença dos "piratas dos casarões", assim denominados por algumas pessoas na localidade, pessoas que compram casas típicas, na grande maioria pomeranas, para obter a madeira para a venda. Já foi relatado que esses compradores já vieram de regiões e de municípios com incidência para o agroturismo, muitas casas são vendidas por R$ 6 mil a R$ 12 mil e reconstruídas na região sudoeste do Espírito Santo e até em localidades de Minas Gerais.
No dia 18 outubro de 2009, a matéria Patrimônio Destruído, da reporte Vilamara Fernandes, no Jornal A Gazeta (http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/10/549889-patrimonio+destruido.html) alerta para a prática da compra dos casarões na região de Santa Maria e região.  Esse fato, presente em alguns municípios capixabas ainda não foi levado a sério,  tão pouco revela a falta de incentivo para a preservação dos patrimônios arquitetônicos capixabas. Essas casas são substituídas por casas de alvenaria, aparentemente mais modernas. São poucas as famílias que ainda preservam a arquitetura pomerana e afastam dos simbolismos e tradições dessas moradias.

Reportagem produzida em 2010 pelo Jornal Nacional no município de Santa Maria de Jequitibá
Muitas construções do passado desapareceram, sobre isso só nos resta lamentar, mas para preservar as que ainda restam é preciso ação, portanto é urgente à necessidade de considerar a arquitetura rural pomerana como um patrimônio da cultura do Estado do Espírito Santo, não só no papel, mas em ações que verdadeiramente garantam sua preservação.

As casas pomeranas são substituídas por casas menores e mais modernas de alvenaria





Objetivos do Projeto: Valorizar, identificar e preservar as riquezas multiculturais do patrimônio da arquitetura pomerana em Laranja da Terra. Estimular, revelar jovens e adolescentes a interpretar a realidade por meio da fotografia, enquanto ambiente multicultural de convívio, tradições, riquezas, formas e cores. Justificativa: O projeto "Muitas histórias se revelam na Fotografia" tem a finalidade de utilizar a prática da fotografia como linguagem de discussão, reflexão e lazer. Possibilitará que a fotografia se faça mais presente e se multiplique com os povos tradicionais do interior do Espírito Santo. Sendo de extrema importância, o projeto capacitará os jovens com mais uma arte, dando condições de que eles mesmos possam registrar suas percepções, manifestações e tradições. Através da fotografia, as pessoas podem perceber elementos que anteriormente passariam despercebidos. É uma maneira de reavaliar o mundo, pois exercitando o olhar fotográfico, ele estará elegendo um assunto comum e tornando-o especial, um registro. A fotografia também torna possível ampliar sua compreensão do espaço, do meio ambiente em que vivem, pois tem a capacidade de fixar um momento, que posteriormente será refletido e analisado.